
Por que engordei depois que parei o remédio para emagrecer?
O reganho após parar o remédio para emagrecer acontece porque a obesidade é uma doença crônica e o medicamento atua enquanto está sendo usado, reduzindo apetite e aumentando saciedade. Quando ele é suspenso, os mecanismos biológicos que defendem o peso voltam a agir. Estudos controlados mostram recuperação de boa parte do peso perdido no ano seguinte à interrupção.
O que os estudos mostram sobre o reganho?
Dois estudos ajudam a entender o que acontece depois da suspensão dos medicamentos mais modernos para obesidade.
Na extensão do estudo STEP 1, pessoas que usaram semaglutida semanal por 68 semanas, associada a mudanças de estilo de vida, perderam em média 17,3% do peso corporal. Um ano depois de interromper o tratamento, haviam recuperado cerca de dois terços do peso perdido, e as melhoras em pressão arterial, glicemia e outros marcadores cardiometabólicos também regrediram em grande parte (Wilding e colaboradores, 2022).
O estudo SURMOUNT-4 seguiu outro desenho. Todos os participantes usaram tirzepatida por 36 semanas e tiveram perda média de 20,9% do peso. Depois disso, parte continuou com o medicamento e parte passou a receber placebo. Entre quem trocou para placebo, houve recuperação média de 14% do peso nas 52 semanas seguintes, enquanto quem manteve o tratamento continuou perdendo peso; 89,5% desse grupo preservou pelo menos 80% da perda inicial, contra 16,6% no grupo placebo (Aronne e colaboradores, 2024).
Esses resultados mostram que os medicamentos funcionam, mas que o efeito depende da continuidade, como acontece no tratamento de outras condições crônicas.
Se o peso volta, a obesidade é mesmo uma doença crônica?
Sim. A Organização Mundial da Saúde define a obesidade como uma doença crônica e recidivante, resultado de interações complexas entre genética, neurobiologia, comportamento alimentar e ambiente (OMS, 2025). A diretriz canadense para obesidade em adultos segue a mesma linha e propõe que o cuidado seja contínuo, centrado na saúde e ajustado ao longo do tempo (Wharton e colaboradores, 2020).
Entender a obesidade dessa forma muda as expectativas. Ninguém estranha que a pressão volte a subir quando o anti-hipertensivo é suspenso. Com os medicamentos para obesidade o raciocínio é parecido: eles controlam mecanismos que continuam presentes depois da perda de peso, incluindo mais fome e menor gasto energético.
- O reganho após parar o medicamento é esperado e foi documentado em estudos controlados.
- Na extensão do STEP 1, cerca de dois terços do peso perdido voltaram em um ano sem tratamento.
- No SURMOUNT-4, quem manteve a medicação preservou muito melhor o resultado.
- Manutenção e eventual retirada devem ser planejadas com o médico, nunca de forma abrupta e isolada.
Como planejar a manutenção depois do emagrecimento?
A fase de manutenção começa antes de a meta ser atingida. Algumas medidas ajudam a proteger o resultado:
- Preservar massa muscular: treino de força e proteína suficiente durante todo o tratamento reduzem a queda do gasto energético.
- Consolidar hábitos: alimentação organizada, sono regular e manejo do estresse precisam estar estabelecidos antes de qualquer mudança na medicação.
- Monitorar de perto: consultas periódicas, avaliação de composição corporal e exames permitem perceber o reganho no início, quando é mais fácil corrigir.
- Cuidar da relação com a comida: o apoio psicológico ajuda a lidar com a volta da fome e com gatilhos emocionais.
É possível reduzir ou parar o medicamento com segurança?
Em alguns casos, pode ser discutida a redução de dose, o espaçamento entre as aplicações ou até a retirada, sempre de forma individualizada. A decisão leva em conta o tempo de tratamento, a estabilidade do peso, as doenças associadas, os efeitos colaterais, o custo e a preferência do paciente. Para outras pessoas, manter o tratamento por tempo prolongado é a forma mais segura de preservar os benefícios à saúde.
O que os estudos deixam claro é que interromper o medicamento por conta própria, sem plano e sem acompanhamento, aumenta a chance de recuperar o peso. Por isso, indicação, dose, duração e retirada dependem sempre de avaliação médica individual, com reavaliações ao longo do caminho.
Como o Dr. Guilherme Rocha conduz a manutenção e a retirada
No Instituto Guilherme Rocha, em Guarapari (ES), o Dr. Guilherme Rocha acompanha pacientes que iniciaram medicamentos para obesidade e também pessoas que interromperam o tratamento e viram o peso voltar. O primeiro passo é uma avaliação individual, com revisão do histórico, exames e análise da composição corporal, para entender o momento de cada um.
Com base nisso, o Dr. Guilherme define junto com o paciente um plano que pode incluir ajuste da medicação, fortalecimento dos hábitos e apoio da equipe multidisciplinar presencial. Esse acompanhamento próximo faz parte do Programa Platinum de emagrecimento avançado e da abordagem do Instituto para o tratamento da obesidade como condição de longo prazo.
Perguntas frequentes
É normal engordar depois de parar o remédio para emagrecer?
Sim, é comum. Na extensão do estudo STEP 1, pessoas que interromperam a semaglutida recuperaram cerca de dois terços do peso perdido em um ano. Isso acontece porque os mecanismos que aumentam a fome e reduzem o gasto de energia continuam presentes. Por isso, qualquer mudança no tratamento deve ser planejada com o médico.
Vou precisar usar remédio para emagrecer para sempre?
Não necessariamente. Algumas pessoas se beneficiam do uso prolongado, enquanto outras conseguem reduzir a dose ou suspender o medicamento com acompanhamento e hábitos bem estabelecidos. A decisão considera estabilidade do peso, doenças associadas, efeitos colaterais e preferências do paciente. Não existe regra única, e o plano deve ser definido em avaliação médica individual.
Como evitar o reganho depois do tratamento?
As principais medidas são preservar massa muscular com treino de força e proteína adequada, manter sono e rotina alimentar organizados, cuidar do estresse e fazer consultas periódicas para perceber o reganho cedo. A retirada do medicamento, quando indicada, deve ser gradual e acompanhada pelo médico, com ajustes conforme a resposta do corpo.
Referências
- Weight regain and cardiometabolic effects after withdrawal of semaglutide: The STEP 1 trial extension, Diabetes, Obesity and Metabolism, 2022. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35441470/
- Continued Treatment With Tirzepatide for Maintenance of Weight Reduction in Adults With Obesity: The SURMOUNT-4 Randomized Clinical Trial, JAMA, 2024. https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2812936
- Obesity and overweight, Fact sheet, Organização Mundial da Saúde (OMS), 2025. https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/obesity-and-overweight
- Obesity in adults: a clinical practice guideline, CMAJ, 2020. https://www.cmaj.ca/content/192/31/E875
Conteúdo informativo, escrito e revisado sob responsabilidade do Dr. Guilherme Loureiro Rocha (CRM-ES 11007). Não substitui a consulta médica. Diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual.
Dr. Guilherme Rocha