
Quais são as vias de reposição hormonal?
As principais vias de reposição hormonal são a oral (comprimido), a transdérmica (adesivo e gel), a subcutânea (implante) e a vaginal, esta última voltada sobretudo a sintomas locais. Todas são eficazes para os sintomas da menopausa quando bem indicadas, e a escolha considera histórico de saúde, riscos, preferências e rotina de cada mulher.
A The Menopause Society reforça que as diferentes vias têm eficácia alta e comparável sobre os calorões e que formulação, dose e via devem ser definidas individualmente e reavaliadas ao longo do tempo (The Menopause Society, 2022). Em outras palavras, a pergunta mais útil é qual via faz sentido para cada pessoa, considerando a sua história.
Qual a diferença entre via oral e transdérmica no risco de trombose?
O estrogênio tomado por via oral passa primeiro pelo fígado antes de chegar à circulação. Essa passagem estimula a produção de fatores ligados à coagulação, o que ajuda a explicar por que a via oral está associada a aumento do risco de trombose venosa. Já o estrogênio absorvido pela pele, por adesivo ou gel, chega diretamente ao sangue.
Um grande estudo com bases de dados do Reino Unido observou que a terapia oral se associou a maior risco de tromboembolismo venoso, enquanto a via transdérmica não mostrou aumento desse risco (Vinogradova et al., BMJ, 2019). São dados observacionais, sem ensaios randomizados que comparem as vias diretamente, mas eles orientam a prática: em mulheres com fatores de risco para trombose, obesidade ou enxaqueca, por exemplo, as vias não orais costumam ser preferidas. O implante também é uma via não oral, porque libera o hormônio sob a pele sem passagem hepática inicial.
Quando cada via faz mais sentido?
Cada forma de reposição tem características próprias, e nenhuma é ideal para todas as mulheres. De forma resumida:
- Comprimido: prático e conhecido, com ampla experiência de uso. Pode ser adequado para mulheres sem fatores de risco para trombose, mas envolve passagem pelo fígado.
- Adesivo: via transdérmica, trocado em intervalos definidos. Algumas mulheres têm irritação na pele ou dificuldade de fixação em clima quente e úmido.
- Gel: também transdérmico, permite ajustes finos de dose, mas exige aplicação diária e cuidado para não transferir o produto a quem tem contato próximo.
- Implante: via subcutânea de liberação contínua, sem dose diária. Indicado quando há deficiência diagnosticada e quando a conveniência e a adesão pesam na escolha, com monitoramento regular.
Mulheres que têm útero precisam, em geral, associar um progestagênio ao estrogênio, qualquer que seja a via, para proteger o endométrio (The Menopause Society, 2022). Esse ponto faz parte da conversa sobre o esquema completo de tratamento.
Por que escolher o implante entre as vias de reposição?
O implante é uma opção válida para mulheres que se beneficiam de uma via não oral e têm dificuldade real com o uso diário, seja por rotina intensa, viagens frequentes, esquecimentos ou reações ao adesivo. A liberação contínua dispensa a lembrança de doses e pode tornar o tratamento mais regular.
Há também aspectos que precisam ser considerados com transparência. Depois de colocado, o implante não permite ajustes rápidos de dose como o gel, e a absorção varia de pessoa para pessoa. A regulação brasileira acompanha essas particularidades: a Resolução RE 4.353/2024 da Anvisa exige prescrição com CID, termo de esclarecimento assinado e prevê a manipulação apenas quando não houver medicamento registrado que atenda à necessidade específica da paciente (Anvisa, 2024). Por isso, a escolha pelo implante é sempre justificada caso a caso.
Como decidir a melhor via para você?
A decisão combina critérios clínicos e preferências pessoais. Na consulta, o médico costuma avaliar:
- histórico pessoal e familiar de trombose, câncer de mama, doença cardiovascular e doença hepática;
- idade e tempo desde a última menstruação;
- presença ou não de útero, que define a necessidade de progestagênio;
- resultados de exames laboratoriais e de rastreamento;
- rotina, experiências anteriores com outras vias e preferências da paciente.
- Comprimido, adesivo, gel e implante têm eficácia semelhante sobre os calorões.
- As vias não orais, como adesivo, gel e implante, evitam a passagem inicial pelo fígado.
- O implante se destaca pela liberação contínua e pela dispensa de dose diária.
- A escolha da via é individual e depende de histórico, exames e rotina.
Como o Dr. Guilherme Rocha trata com reposição hormonal
No Instituto Guilherme Rocha, em Guarapari (ES), o Dr. Guilherme Rocha apresenta à paciente todas as vias de reposição compatíveis com o seu caso, com as vantagens e os limites de cada uma. A escolha é feita em conjunto, depois de exames e de uma conversa franca sobre expectativas, sempre dentro do cuidado com a menopausa e a perimenopausa.
Quando o implante hormonal é a via mais adequada, o procedimento é realizado no consultório e acompanhado com retornos programados. Quando adesivo, gel ou comprimido fazem mais sentido, essa orientação também é dada com clareza, porque a melhor via é aquela que une eficácia, segurança e conforto.
Perguntas frequentes
Adesivo de hormônio tem menos risco de trombose que comprimido?
Estudos observacionais indicam que o estrogênio transdérmico, em adesivo ou gel, não se associa ao aumento de risco de trombose venosa observado com a via oral. Por isso, as vias não orais costumam ser preferidas em mulheres com fatores de risco. A decisão, porém, depende da avaliação individual de cada paciente.
Posso trocar o comprimido pelo implante hormonal?
Em muitos casos a troca é possível, desde que exista indicação para continuar a reposição e não haja contraindicações. O médico revisa os exames, o histórico e a resposta ao tratamento atual antes de sugerir a mudança. A transição também é planejada para evitar retorno dos sintomas ou excesso de hormônio.
O implante hormonal dispensa o uso de progesterona?
Não necessariamente. Mulheres que têm útero precisam, em geral, de um progestagênio associado ao estrogênio para proteger o endométrio, qualquer que seja a via escolhida. A forma de fazer essa proteção é definida pelo médico, e o acompanhamento inclui atenção a sangramentos e, quando indicado, exames do útero.
Referências
- The 2022 hormone therapy position statement of The North American Menopause Society, Menopause, 2022. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35797481/
- Use of hormone replacement therapy and risk of venous thromboembolism, BMJ, 2019. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6333215/
- Is transdermal estradiol safer than oral estrogen in terms of VTE risk?, International Menopause Society, 2021. https://www.imsociety.org/2021/12/02/is-transdermal-estradiol-safer-then-oral-estrogen-in-terms-of-vte-risk/
- Implantes hormonais, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 2024. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/comunicacao/campanhas/estetica/implantes-hormonais
Conteúdo informativo, escrito e revisado sob responsabilidade do Dr. Guilherme Loureiro Rocha (CRM-ES 11007). Não substitui a consulta médica. Diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual.
Dr. Guilherme Rocha