
Por que a obesidade é considerada uma doença?
A obesidade é considerada doença porque envolve alterações biológicas na regulação do peso, causa prejuízos à saúde e tende a recidivar. A Organização Mundial da Saúde a define como uma doença crônica e recidivante, resultante da interação entre genética, neurobiologia, comportamento alimentar, acesso a alimentos saudáveis, fatores de mercado e ambiente. Por isso, exige tratamento contínuo.
Essa definição, publicada na página oficial da OMS sobre obesidade e sobrepeso, muda a forma de olhar para o problema. Em 2022, cerca de uma em cada oito pessoas no mundo vivia com obesidade, e a prevalência entre adultos mais que dobrou desde 1990 (OMS, 2025). Um fenômeno com essa dimensão não pode ser explicado apenas por escolhas individuais.
A obesidade é só falta de força de vontade?
Não. Em 2020, um consenso internacional reunindo pesquisadores de várias partes do mundo, e endossado por mais de cem organizações científicas e de pacientes, afirmou que a ideia de que o peso corporal depende inteiramente de decisões voluntárias contradiz as evidências (Rubino e colaboradores, Nature Medicine, 2020). O documento lembra que a regulação do peso envolve múltiplos mecanismos biológicos e que fatores como genética, epigenética, sono, estresse e medicamentos contribuem para o ganho de peso.
Isso não significa que hábitos sejam irrelevantes. Alimentação, atividade física e sono continuam sendo pilares do tratamento. A diferença está em entender que o corpo de uma pessoa com obesidade trabalha ativamente para manter ou recuperar o peso, e que enfrentar essa biologia exige mais do que determinação.
Quais fatores biológicos e ambientais influenciam a obesidade?
A obesidade é multifatorial. Entre os fatores mais estudados estão:
- Genética e histórico familiar, que influenciam apetite, saciedade e distribuição de gordura.
- Sinais hormonais e cerebrais que regulam fome e gasto energético, como leptina e grelina.
- Sono insuficiente e estresse crônico, que alteram hormônios e comportamento alimentar.
- Medicamentos que podem favorecer o ganho de peso, como alguns antidepressivos, antipsicóticos e corticoides.
- Ambiente: oferta abundante de alimentos ultraprocessados, pouco espaço e tempo para atividade física e rotinas de trabalho sedentárias.
Há ainda um aspecto que ajuda a entender por que tantas pessoas recuperam o peso. Um estudo acompanhou adultos que emagreceram com uma dieta de muito baixa caloria e observou que, um ano depois, os hormônios que estimulam o apetite continuavam elevados, os que promovem saciedade continuavam reduzidos e a fome relatada permanecia maior do que antes da perda de peso (Sumithran e colaboradores, NEJM, 2011). O corpo, em outras palavras, defende o peso anterior.
Como o estigma do peso prejudica a saúde?
O estigma do peso aparece em comentários, piadas, olhares e, infelizmente, também nos serviços de saúde. O consenso internacional de 2020 mostrou que esse preconceito causa danos físicos e psicológicos, leva as pessoas a evitar consultas e reduz a qualidade do cuidado recebido (Rubino e colaboradores, Nature Medicine, 2020). Paradoxalmente, a vergonha não motiva mudança: ela está associada a mais estresse, isolamento e comportamentos alimentares desregulados.
Um ambiente de cuidado sem julgamento, com linguagem respeitosa e foco na saúde, é parte do tratamento. Falar em "pessoa com obesidade", por exemplo, coloca o indivíduo à frente da condição, e essa mudança de postura faz diferença na relação entre paciente e equipe.
Por que o tratamento da obesidade precisa ser contínuo?
Como em outras doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, o tratamento da obesidade não termina quando se atinge uma meta. Em 2025, uma comissão internacional publicada na The Lancet Diabetes & Endocrinology propôs distinguir a obesidade clínica, quando já existem sinais de disfunção de órgãos ou limitação das atividades diárias, da obesidade pré-clínica, reforçando a necessidade de avaliação individual além do índice de massa corporal (Rubino e colaboradores, 2025).
Na prática, isso significa acompanhamento de longo prazo, com reavaliações periódicas, ajustes de estratégia e atenção à composição corporal, às doenças associadas e à saúde emocional. Quando há indicação, medicamentos como os agonistas do receptor de GLP-1 podem fazer parte do plano, sempre com prescrição e monitoramento médico individual.
- A OMS define a obesidade como doença crônica e recidivante, de causas múltiplas.
- O corpo desenvolve adaptações hormonais que favorecem a recuperação do peso perdido.
- O estigma do peso prejudica a saúde e afasta as pessoas do cuidado.
- O tratamento é contínuo, individualizado e envolve acompanhamento de longo prazo.
Como o Dr. Guilherme Rocha trata a obesidade
No Instituto Guilherme Rocha, em Guarapari (ES), a obesidade é tratada como a condição de saúde que ela é, com respeito e sem julgamento. O Dr. Guilherme, com mais de 15 anos de prática e olhar integrativo, começa por uma avaliação individual detalhada, com histórico de peso, exames laboratoriais, composição corporal e investigação de fatores como sono, medicamentos e saúde emocional.
A partir dessa avaliação, o plano de tratamento da obesidade é construído com metas de saúde e acompanhamento próximo. Para quem precisa de uma estrutura mais completa, o Programa Platinum integra uma equipe multidisciplinar ao cuidado médico. Toda indicação de tratamento depende de avaliação médica individual.
Perguntas frequentes
A OMS reconhece a obesidade como doença?
Sim. A Organização Mundial da Saúde define a obesidade como uma doença crônica e recidivante, resultante da interação entre genética, neurobiologia, comportamento alimentar, acesso a alimentos saudáveis, fatores de mercado e ambiente. Esse reconhecimento reforça que a obesidade precisa de diagnóstico, tratamento e acompanhamento contínuo, como outras doenças crônicas.
Por que o peso volta depois de uma dieta?
Após a perda de peso, o corpo passa por adaptações que favorecem a recuperação: hormônios que estimulam o apetite aumentam, os que promovem saciedade diminuem e a fome tende a crescer. Estudos mostram que essas alterações podem persistir por pelo menos um ano. Por isso, o acompanhamento de longo prazo é essencial para manter os resultados de saúde.
Tratar a obesidade significa usar medicamentos?
Nem sempre. O tratamento combina alimentação, atividade física, cuidado com o sono e com a saúde emocional, e pode incluir medicamentos quando há indicação clínica. A decisão sobre usar ou não medicamentos, qual classe e por quanto tempo depende de avaliação médica individual, considerando exames, doenças associadas, riscos e preferências do paciente.
Referências
- Obesity and overweight (fact sheet), Organização Mundial da Saúde, 2025. https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/obesity-and-overweight
- Joint international consensus statement for ending stigma of obesity, Nature Medicine, 2020. https://www.nature.com/articles/s41591-020-0803-x
- Long-term persistence of hormonal adaptations to weight loss, New England Journal of Medicine, 2011. https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1105816
- Definition and diagnostic criteria of clinical obesity, The Lancet Diabetes & Endocrinology, 2025. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39824205/
Conteúdo informativo, escrito e revisado sob responsabilidade do Dr. Guilherme Loureiro Rocha (CRM-ES 11007). Não substitui a consulta médica. Diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual.
Dr. Guilherme Rocha