Início / Blog / Menopausa

Menopausa

Calorões na menopausa: causas, duração e tratamentos

Os calorões, também chamados de fogachos, são o sintoma mais conhecido da menopausa e um dos que mais afetam o sono, o trabalho e o bem-estar. A boa notícia é que existem tratamentos eficazes e bem estudados.

Dr. Guilherme RochaCRM-ES 110074 min de leituraPublicado em 29 de setembro de 2026

O que causa os calorões na menopausa?

Os calorões na menopausa surgem porque a queda e a oscilação do estrogênio alteram o centro de controle de temperatura no hipotálamo. Pequenas variações passam a ser interpretadas como excesso de calor, e o corpo reage com vasodilatação, suor e taquicardia. Existem tratamentos eficazes, hormonais e não hormonais, que devem ser escolhidos após avaliação médica.

Como o calorão acontece no corpo

Durante a vida reprodutiva, o estrogênio ajuda a manter uma faixa confortável de regulação térmica. Na transição menopausal, essa faixa se estreita, e um grupo de neurônios do hipotálamo (os chamados neurônios KNDy, que usam a neurocinina B como sinalizador) torna-se mais ativo. O resultado é uma sensação súbita de calor que costuma começar no peito, no pescoço e no rosto, acompanhada de vermelhidão, suor e, às vezes, palpitações e ansiedade. Quando acontece à noite, recebe o nome de suor noturno e fragmenta o sono.

A compreensão desse mecanismo foi importante porque abriu caminho para medicamentos que agem diretamente nessa via, além de explicar por que a reposição de estrogênio é tão eficaz para esse sintoma.

Quanto tempo duram os calorões da menopausa?

Por muito tempo se disse às mulheres que os fogachos durariam poucos meses. Os dados do Study of Women's Health Across the Nation (SWAN), um grande estudo longitudinal americano, mostraram outra realidade. Entre 1.449 mulheres com sintomas vasomotores frequentes, a duração total mediana foi de 7,4 anos, e os sintomas persistiram por uma mediana de 4,5 anos após a última menstruação (Avis et al., JAMA Internal Medicine, 2015).

O mesmo estudo mostrou que as mulheres que começaram a ter calorões ainda no período pré-menopausa ou no início da perimenopausa tiveram os sintomas mais longos, com mediana superior a 11,8 anos. Houve também diferenças entre grupos étnicos, o que reforça que cada mulher tem uma trajetória própria (Avis et al., JAMA Internal Medicine, 2015). Na prática, isso significa que esperar o sintoma passar sozinho pode representar muitos anos de noites mal dormidas.

Quais são os tratamentos para calorões na menopausa?

A escolha do tratamento depende da intensidade dos sintomas, da idade, do tempo desde a menopausa, do histórico pessoal e familiar e das preferências de cada mulher. As principais opções com respaldo científico são:

  • Terapia hormonal: é o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores. Para mulheres saudáveis com menos de 60 anos ou até 10 anos da menopausa, sem contraindicações, a relação entre benefícios e riscos é considerada favorável (The North American Menopause Society, 2022).
  • Antagonista do receptor de neurocinina 3 (fezolinetanto): classe não hormonal mais recente, que age diretamente no centro térmico do hipotálamo (The North American Menopause Society, 2023).
  • Antidepressivos em doses baixas da classe dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina e dos inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina, úteis especialmente quando a terapia hormonal não é indicada.
  • Gabapentina e oxibutinina, alternativas com evidência para reduzir a frequência dos calorões, com efeitos colaterais que precisam ser discutidos.
  • Terapia cognitivo-comportamental e hipnose clínica, que reduzem o incômodo causado pelos sintomas e são recomendadas por diretrizes internacionais (NICE, 2024).
  • Perda de peso, quando há excesso de peso, também figura entre as medidas recomendadas.

Vale saber que a mesma revisão da The Menopause Society concluiu que várias opções populares, como fitoterápicos, produtos de soja, acupuntura e suplementos, não têm evidência suficiente para serem recomendadas no tratamento dos calorões (The North American Menopause Society, 2023). Isso não impede que hábitos como roupas leves e ambiente fresco tragam conforto, mas eles raramente resolvem sintomas moderados ou intensos.

Em resumo
  • Os calorões resultam da oscilação do estrogênio, que desregula o centro térmico do hipotálamo.
  • No estudo SWAN, a duração mediana foi de 7,4 anos, e em algumas mulheres passou de 11 anos.
  • A terapia hormonal é o tratamento mais eficaz quando indicada, e há opções não hormonais com boa evidência.
  • A escolha deve ser individual, com avaliação clínica, exames e acompanhamento.

Quem não pode usar terapia hormonal para calorões?

A terapia hormonal não é indicada para mulheres com história de câncer de mama ou de endométrio, trombose venosa, acidente vascular cerebral, doença coronariana, doença hepática ativa ou sangramento vaginal sem diagnóstico. Também não se recomenda, como regra, iniciar o tratamento após os 60 anos ou mais de 10 anos depois da menopausa, quando os riscos cardiovasculares e trombóticos são maiores (FEBRASGO, 2024). Nesses casos, as opções não hormonais ganham protagonismo, e o acompanhamento continua sendo possível e eficaz.

Como o Dr. Guilherme Rocha trata os calorões da menopausa

No Instituto Guilherme Rocha, em Guarapari (ES), o Dr. Guilherme Rocha conduz o cuidado da menopausa a partir de uma avaliação individual e detalhada: histórico clínico, padrão e intensidade dos sintomas, qualidade do sono, risco cardiovascular e metabólico, além de exames laboratoriais e de rastreamento adequados à idade. Com mais de 15 anos de prática e um olhar integrativo, ele considera também alimentação, atividade física, humor e rotina, porque esses fatores interferem na forma como os sintomas são vividos.

A partir dessa avaliação, o plano pode incluir terapia hormonal, opções não hormonais ou uma combinação de estratégias, sempre com indicação, dose e via definidas caso a caso e com acompanhamento próximo para ajustes. Se os calorões estão atrapalhando suas noites ou seu dia a dia, conheça como funciona o cuidado da menopausa e da perimenopausa no Instituto e agende uma avaliação.

Perguntas frequentes

Calorão na menopausa tem cura?

Os calorões tendem a diminuir com o tempo, mas no estudo SWAN a duração mediana foi de 7,4 anos, e algumas mulheres convivem com eles por mais de uma década. Existem tratamentos eficazes que reduzem muito a frequência e a intensidade dos sintomas, como a terapia hormonal e opções não hormonais, escolhidos após avaliação médica individual.

Qual o melhor remédio para calorão da menopausa?

A terapia hormonal é o tratamento mais eficaz para os calorões quando não há contraindicações, principalmente em mulheres com menos de 60 anos ou até 10 anos da menopausa. Quando ela não é indicada, há alternativas não hormonais com evidência, como fezolinetanto, alguns antidepressivos em dose baixa, gabapentina e oxibutinina. A escolha depende de avaliação médica.

Chá, soja ou suplemento ajudam nos calorões?

A revisão de 2023 da The Menopause Society concluiu que fitoterápicos, produtos de soja e suplementos não têm evidência suficiente para serem recomendados no tratamento dos calorões. Medidas de conforto, como ambiente fresco e roupas leves, podem ajudar em sintomas leves, mas sintomas moderados ou intensos merecem avaliação médica e um tratamento com eficácia comprovada.

Referências

  1. Duration of Menopausal Vasomotor Symptoms Over the Menopause Transition (SWAN), JAMA Internal Medicine, 2015. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4433164/
  2. The 2023 nonhormone therapy position statement of The North American Menopause Society, Menopause, 2023. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37252752/
  3. The 2022 hormone therapy position statement of The North American Menopause Society, Menopause, 2022. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35797481/
  4. FEBRASGO apresenta novas diretrizes para a terapia de reposição hormonal durante climatério e menopausa, FEBRASGO, 2024. https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/1975-febrasgo-apresenta-novas-diretrizes-para-a-terapia-de-reposicao-hormonal-durante-climaterio-e-menopausa
  5. Menopause: identification and management (NG23), NICE, 2024. https://www.nice.org.uk/guidance/ng23

Conteúdo informativo, escrito e revisado sob responsabilidade do Dr. Guilherme Loureiro Rocha (CRM-ES 11007). Não substitui a consulta médica. Diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual.

Próximo passo

Toda mudança consistente começa com uma boa conversa.

WhatsApp: (27) 99522-3099