
Por que a menopausa aumenta a gordura abdominal?
A menopausa aumenta a gordura abdominal porque a queda do estrogênio favorece o acúmulo de gordura visceral, localizada entre os órgãos, e acelera a perda de massa muscular. Somadas ao envelhecimento e à redução do gasto energético, essas mudanças alteram o formato do corpo mesmo quando o peso na balança muda pouco.
O que muda na distribuição de gordura durante a transição menopausal?
Antes da menopausa, o estrogênio tende a direcionar a gordura para quadris e coxas. Com a sua redução, a distribuição passa a se parecer mais com o padrão masculino, concentrando-se no abdômen. Um estudo longitudinal acompanhou mulheres por quatro anos com exames de imagem e mostrou aumento da gordura visceral e queda do gasto de energia naquelas que se tornaram pós-menopáusicas (Lovejoy et al., International Journal of Obesity, 2008).
O estudo SWAN, que avaliou a composição corporal de 1.246 mulheres ao longo dos anos, trouxe um dado revelador: no início da transição menopausal, a velocidade de ganho de gordura praticamente dobrou, e a massa magra passou a diminuir. Essas mudanças começaram cerca de dois anos antes da última menstruação e se estabilizaram aproximadamente um ano e meio depois dela (Greendale et al., JCI Insight, 2019). Curiosamente, o peso total não mostrou uma virada tão nítida, porque o ganho de gordura e a perda de músculo se compensavam em parte. Por isso, olhar apenas para a balança pode enganar.
A menopausa deixa o metabolismo mais lento?
Em parte, sim. A massa muscular é um dos principais determinantes do gasto energético de repouso, e a sua redução diminui o quanto o corpo consome ao longo do dia. Somam-se a isso a piora do sono causada por calorões e suor noturno, que desregula hormônios ligados à fome e à saciedade, e alterações do humor que podem mudar a relação com a comida e com a atividade física.
A gordura visceral merece atenção especial porque é metabolicamente ativa. Ela se associa à resistência à insulina, a alterações do colesterol e ao aumento do risco cardiovascular, que já cresce naturalmente após a menopausa. Cuidar da cintura, portanto, vai muito além da estética: é uma forma de proteger a saúde nas próximas décadas.
- A queda do estrogênio desloca a gordura para o abdômen e favorece a gordura visceral.
- No estudo SWAN, o ganho de gordura dobrou de velocidade no início da transição, enquanto a massa magra diminuiu.
- A perda de músculo reduz o gasto energético, e o sono ruim piora o controle do apetite.
- O tratamento combina força muscular, alimentação adequada, sono e, quando indicado, terapia medicamentosa.
Como perder a barriga na menopausa?
O caminho mais consistente envolve várias frentes ao mesmo tempo, ajustadas à realidade de cada mulher. Entre as estratégias com melhor fundamento estão:
- Treino de força regular: as diretrizes da Organização Mundial da Saúde recomendam de 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada e exercícios de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias por semana (OMS, 2020). Para a mulher na menopausa, preservar músculo é prioridade.
- Alimentação com proteína suficiente e boa qualidade nutricional: distribuir a proteína ao longo do dia e priorizar alimentos pouco processados ajuda a manter a massa magra e a saciedade.
- Tratamento dos sintomas que atrapalham o sono: controlar calorões e suor noturno melhora o descanso e, por consequência, o apetite e a disposição para se exercitar.
- Avaliação metabólica: glicemia, insulina, perfil lipídico, função tireoidiana e medidas de composição corporal ajudam a entender o ponto de partida.
- Terapias medicamentosas quando indicadas: em mulheres com obesidade ou sobrepeso associado a doenças, medicamentos como os agonistas do receptor de GLP-1 podem fazer parte do tratamento, sempre com indicação médica individual.
A terapia hormonal ajuda a reduzir a gordura abdominal?
A terapia hormonal não é um tratamento para emagrecer e não deve ser prescrita com essa finalidade. Seu objetivo principal é tratar sintomas da menopausa, como calorões, e prevenir a perda óssea em mulheres com indicação (The North American Menopause Society, 2022). Ainda assim, ao melhorar o sono e a disposição, ela pode facilitar a adesão aos hábitos que realmente mudam a composição corporal. A decisão deve considerar idade, tempo de menopausa, riscos e contraindicações de cada paciente.
Como o Dr. Guilherme Rocha trata o ganho de peso na menopausa
No Instituto Guilherme Rocha, em Guarapari (ES), o Dr. Guilherme Rocha avalia o ganho de peso da menopausa como parte de um quadro maior, que inclui hormônios, sono, humor, rotina alimentar, nível de atividade física e risco cardiometabólico. A consulta inclui histórico detalhado, exame físico, avaliação da composição corporal e exames laboratoriais, para que o plano seja construído com base em dados e não em suposições.
Para mulheres que desejam um acompanhamento mais estruturado, o Programa Platinum de emagrecimento avançado reúne acompanhamento multidisciplinar presencial, com ajustes frequentes ao longo do processo. Quando os sintomas da transição hormonal também pesam no dia a dia, o cuidado da menopausa e da perimenopausa caminha junto, com indicação, dose e tratamento definidos em avaliação individual.
Perguntas frequentes
Por que engordei na barriga depois da menopausa?
Com a queda do estrogênio, o corpo passa a acumular gordura preferencialmente no abdômen, inclusive a gordura visceral. Ao mesmo tempo, há perda de massa muscular e redução do gasto energético. O estudo SWAN mostrou que o ritmo de ganho de gordura dobra no início da transição menopausal, mesmo quando o peso total muda pouco.
Qual exercício é melhor para a barriga na menopausa?
A combinação de treino de força com atividade aeróbica é a mais indicada. A Organização Mundial da Saúde recomenda de 150 a 300 minutos semanais de atividade moderada e fortalecimento muscular em pelo menos dois dias por semana. O treino de força é essencial porque preserva a massa muscular, que diminui naturalmente nessa fase da vida.
Reposição hormonal emagrece?
A terapia hormonal não é um tratamento para emagrecer e não deve ser usada com esse objetivo. Ela trata sintomas como calorões e ajuda a prevenir a perda óssea em mulheres com indicação. Ao melhorar o sono e a disposição, pode facilitar a adesão a exercícios e alimentação adequada. A decisão depende sempre de avaliação médica individual.
Referências
- Changes in body composition and weight during the menopause transition (SWAN), JCI Insight, 2019. https://insight.jci.org/articles/view/124865
- Increased visceral fat and decreased energy expenditure during the menopausal transition, International Journal of Obesity, 2008. https://www.nature.com/articles/ijo200825
- World Health Organization 2020 guidelines on physical activity and sedentary behaviour, British Journal of Sports Medicine, 2020. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7719906/
- The 2022 hormone therapy position statement of The North American Menopause Society, Menopause, 2022. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35797481/
Conteúdo informativo, escrito e revisado sob responsabilidade do Dr. Guilherme Loureiro Rocha (CRM-ES 11007). Não substitui a consulta médica. Diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual.
Dr. Guilherme Rocha