
A terapia hormonal na menopausa é segura?
Para a maioria das mulheres saudáveis que iniciam o tratamento antes dos 60 anos ou até 10 anos após a menopausa, a terapia hormonal tem relação favorável entre benefícios e riscos, especialmente para tratar calorões e prevenir a perda óssea. A segurança depende de indicação correta, escolha da dose e da via, exames e acompanhamento médico regular.
De onde veio o medo da reposição hormonal?
Em 2002, os primeiros resultados do Women's Health Initiative (WHI), um grande estudo americano, apontaram aumento de risco de câncer de mama, infarto e trombose com a terapia hormonal. A notícia teve enorme repercussão, e muitas mulheres interromperam o tratamento da noite para o dia. O que se discutiu menos na época foi o perfil das participantes: a média de idade era de 63 anos, muitas estavam há mais de uma década sem menstruar e boa parte não tinha sintomas.
As análises posteriores mudaram a leitura. No seguimento de 18 anos dos ensaios do WHI, o uso de terapia hormonal por cerca de 5 a 7 anos não aumentou a mortalidade total, cardiovascular ou por câncer (Manson et al., JAMA, 2017). E a própria The Menopause Society destaca que os resultados obtidos em mulheres mais velhas não se aplicam a quem tem menopausa precoce ou está no início da pós-menopausa (The North American Menopause Society, 2022).
O que é a janela de oportunidade da terapia hormonal?
É o período em que o tratamento tende a oferecer o melhor equilíbrio entre benefícios e riscos: antes dos 60 anos ou nos primeiros 10 anos após a menopausa. Nessa fase, os vasos sanguíneos ainda estão relativamente preservados, e o efeito sobre o sistema cardiovascular é considerado neutro ou favorável em mulheres saudáveis. Já quem inicia após os 60 anos ou muito tempo depois da menopausa tem riscos absolutos maiores de doença coronariana, AVC, trombose e demência (The North American Menopause Society, 2022).
A FEBRASGO, em diretriz elaborada com a Sociedade Brasileira de Cardiologia e a Associação Brasileira de Climatério, segue a mesma linha: iniciar nos primeiros 10 anos da menopausa ou antes dos 60 anos, e, como regra, não iniciar depois disso (FEBRASGO, 2024).
Mitos e verdades sobre a terapia hormonal
- "Todo hormônio causa câncer de mama." Mito. O risco depende do tipo de esquema, da duração e do perfil da mulher. No WHI, o estrogênio isolado, usado por mulheres sem útero, não aumentou o risco de câncer de mama. Com estrogênio associado a progestagênio, há um pequeno aumento de risco com uso prolongado, que precisa ser discutido individualmente (The North American Menopause Society, 2022).
- "É o tratamento mais eficaz para calorões." Verdade. Nenhuma outra opção supera a terapia hormonal no alívio dos sintomas vasomotores (The North American Menopause Society, 2023).
- "Protege os ossos." Verdade. A terapia hormonal previne a perda óssea e reduz fraturas em mulheres na pós-menopausa.
- "Precisa ser suspensa depois de cinco anos." Mito. Não há um prazo fixo; a duração é reavaliada periodicamente, conforme sintomas, benefícios e riscos de cada mulher.
- "Toda via de administração é igual." Mito. As vias transdérmicas, que evitam a primeira passagem pelo fígado, parecem ter menor risco de trombose do que a via oral, segundo dados observacionais.
- O medo da reposição hormonal nasceu de resultados do WHI em mulheres mais velhas, reinterpretados nos anos seguintes.
- Iniciar antes dos 60 anos ou até 10 anos da menopausa oferece o melhor equilíbrio entre benefícios e riscos.
- A terapia hormonal é o tratamento mais eficaz para calorões e protege a massa óssea.
- Existem contraindicações claras, e a escolha da via e da dose é individual.
Quem não deve fazer terapia hormonal?
As principais contraindicações incluem história de câncer de mama ou de endométrio, trombose venosa ou embolia pulmonar, AVC, infarto ou doença coronariana estabelecida, doença hepática ativa e sangramento vaginal sem diagnóstico. Nesses casos, há opções não hormonais eficazes para os sintomas.
Quais são as vias da terapia hormonal?
O estrogênio pode ser usado por via oral, em gel, adesivo, spray ou por implante hormonal, que libera o hormônio de forma contínua, com níveis mais estáveis e a conveniência de não depender de uso diário, o que favorece a adesão. Mulheres com útero precisam associar progesterona ou progestagênio para proteger o endométrio. Para sintomas exclusivamente genitais, o estrogênio vaginal em baixa dose é eficaz e tem absorção mínima.
No Brasil, os implantes hormonais manipulados devem ser prescritos apenas com finalidade terapêutica e seguem regras rigorosas de prescrição e consentimento, sendo vedado o uso para fins estéticos, esportivos ou de ganho de massa muscular (Resolução CFM 2.333/2023; Anvisa, 2024).
Como o Dr. Guilherme Rocha conduz a terapia hormonal
No Instituto Guilherme Rocha, em Guarapari (ES), o Dr. Guilherme Rocha indica a terapia hormonal apenas após avaliação individual completa: sintomas, tempo de menopausa, histórico pessoal e familiar, risco cardiovascular, mamografia, exames laboratoriais e preferências da paciente. A via, seja oral, transdérmica ou implante, e a dose são definidas caso a caso, com acompanhamento próximo e reavaliações periódicas. O Instituto não indica implantes com finalidade estética ou de ganho de desempenho. Conheça o cuidado da menopausa e da perimenopausa no Instituto.
Perguntas frequentes
Qual a idade limite para começar a reposição hormonal?
As diretrizes da The Menopause Society e da FEBRASGO indicam que o melhor equilíbrio entre benefícios e riscos ocorre quando o tratamento começa antes dos 60 anos ou até 10 anos após a menopausa. Depois desse período, como regra, não se recomenda iniciar a terapia hormonal, porque os riscos cardiovasculares e de trombose se tornam maiores.
Reposição hormonal causa câncer de mama?
O risco depende do esquema e da duração. No estudo WHI, o estrogênio isolado, usado por mulheres sem útero, não aumentou o risco de câncer de mama. A combinação de estrogênio com progestagênio mostrou um pequeno aumento com uso prolongado. Por isso, a indicação exige avaliação individual, mamografia em dia e acompanhamento regular.
Implante hormonal é uma opção para a menopausa?
O implante é uma das vias possíveis de terapia hormonal, com liberação contínua, níveis mais estáveis e conveniência, o que favorece a adesão. No Brasil, deve ser usado apenas com finalidade terapêutica, com prescrição, consentimento informado e monitoramento, sendo vedado para fins estéticos ou de desempenho. A escolha da via depende de avaliação médica.
Referências
- The 2022 hormone therapy position statement of The North American Menopause Society, Menopause, 2022. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35797481/
- Menopausal Hormone Therapy and Long-term All-Cause and Cause-Specific Mortality: The WHI Randomized Trials, JAMA, 2017. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5728370/
- FEBRASGO apresenta novas diretrizes para a terapia de reposição hormonal durante climatério e menopausa, FEBRASGO, 2024. https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/1975-febrasgo-apresenta-novas-diretrizes-para-a-terapia-de-reposicao-hormonal-durante-climaterio-e-menopausa
- The 2023 nonhormone therapy position statement of The North American Menopause Society, Menopause, 2023. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37252752/
- Implantes hormonais: novas medidas vão impor mais rigor à manipulação, Anvisa, 2024. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2024/implantes-hormonais-novas-medidas-vao-impor-mais-rigor-a-manipulacao
Conteúdo informativo, escrito e revisado sob responsabilidade do Dr. Guilherme Loureiro Rocha (CRM-ES 11007). Não substitui a consulta médica. Diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual.
Dr. Guilherme Rocha