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Menopausa

Exames na perimenopausa: o que o FSH mostra e o que não mostra

É comum chegar ao consultório pedindo um exame de sangue que confirme a perimenopausa. Na maioria das mulheres, porém, o diagnóstico é clínico, e os exames servem para outras tarefas igualmente importantes.

Dr. Guilherme RochaCRM-ES 110074 min de leituraPublicado em 29 de setembro de 2026

Existe exame que confirma a perimenopausa?

Não existe um exame único que confirme a perimenopausa. Em mulheres acima de 45 anos com sintomas típicos e ciclos irregulares, o diagnóstico é clínico, sem necessidade de dosagens hormonais. Os exames de sangue são mais úteis para descartar outras causas dos sintomas e para acompanhar a saúde dos ossos, do coração e do metabolismo.

Essa é a recomendação da diretriz britânica do NICE, uma das referências mais usadas no mundo: em mulheres saudáveis com mais de 45 anos, a perimenopausa é diagnosticada pelos sintomas vasomotores e pela irregularidade menstrual, e a menopausa, pela ausência de menstruação por 12 meses (NICE, 2024).

Por que o FSH não serve para diagnosticar a perimenopausa?

O FSH, hormônio que estimula os ovários, sobe à medida que a reserva ovariana diminui. O problema é que, na perimenopausa, ele oscila muito de um ciclo para outro e até dentro do mesmo mês. Uma mulher pode ter FSH elevado em uma semana e totalmente normal na seguinte, enquanto os sintomas continuam.

Por isso, um resultado normal não descarta a perimenopausa, e um resultado alto isolado não diz exatamente em que ponto da transição a mulher está. O NICE orienta considerar o FSH apenas em situações específicas: mulheres de 40 a 45 anos com sintomas e mudança no ciclo, e mulheres com menos de 40 anos quando se suspeita de insuficiência ovariana prematura (NICE, 2024).

A mesma diretriz recomenda não usar os seguintes exames para diagnosticar perimenopausa ou menopausa em mulheres acima de 45 anos:

  • hormônio antimülleriano (AMH);
  • inibina A e inibina B;
  • estradiol;
  • contagem de folículos antrais e volume ovariano ao ultrassom.

Outro ponto prático: o anticoncepcional hormonal e alguns tratamentos alteram o FSH, o que torna o resultado ainda menos confiável nessas mulheres.

Quais exames ajudam a descartar outras causas?

Cansaço, palpitações, ansiedade, alterações de peso, insônia e irregularidade menstrual também aparecem em outras condições. Por isso a investigação costuma incluir, conforme o caso:

  • TSH e T4 livre, porque hipotireoidismo e hipertireoidismo imitam vários sintomas da transição;
  • hemograma e ferritina, já que sangramentos intensos da perimenopausa podem levar à anemia;
  • prolactina e beta-hCG, quando há falta de menstruação que precisa ser esclarecida;
  • vitamina B12 e vitamina D, em mulheres com fadiga, alterações de memória ou risco ósseo;
  • ultrassom transvaginal, quando há sangramento anormal, muito intenso ou fora do padrão.

Quais exames de acompanhamento fazer na perimenopausa?

A transição menopausal é um momento estratégico para a saúde preventiva, porque o risco cardiovascular, metabólico e ósseo aumenta após a queda do estrogênio. Os exames de acompanhamento mais importantes são:

  1. Perfil lipídico. Colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos costumam piorar na transição e ajudam a estimar o risco cardiovascular.
  2. Glicemia e hemoglobina glicada. Rastreiam pré-diabetes e diabetes, mais frequentes com o ganho de gordura abdominal da meia-idade.
  3. Função renal e hepática. São úteis antes de iniciar diversos tratamentos, incluindo a terapia hormonal.
  4. Densitometria óssea. A USPSTF recomenda o exame a partir dos 65 anos e antes disso em mulheres na pós-menopausa com risco aumentado (USPSTF, 2025).
  5. Mamografia. O Ministério da Saúde passou a recomendar o rastreamento a cada dois anos dos 50 aos 74 anos, com indicação individualizada e decisão compartilhada entre 40 e 49 anos (FEBRASGO, 2025). A FEBRASGO, por sua vez, defende o exame anual a partir dos 40 anos (FEBRASGO, 2024).
  6. Rastreamento do câncer de colo do útero, conforme o calendário recomendado para a idade.

Pressão arterial, peso e circunferência abdominal completam essa avaliação. Quando há excesso de peso, o tratamento da obesidade passa a fazer parte da estratégia preventiva.

Em resumo
  • Acima dos 45 anos, a perimenopausa é diagnosticada pelos sintomas e pelo padrão menstrual.
  • O FSH oscila muito e só é útil em situações específicas, como mulheres com menos de 45 anos.
  • Exames como TSH, hemograma e ferritina ajudam a descartar outras causas.
  • Lipídios, glicemia, densitometria e mamografia orientam a prevenção a longo prazo.

Como o Dr. Guilherme Rocha avalia a mulher na perimenopausa

No Instituto Guilherme Rocha, em Guarapari (ES), a consulta começa pela história clínica detalhada: padrão dos ciclos, sintomas físicos e emocionais, sono, histórico familiar e objetivos da paciente. A partir daí, o Dr. Guilherme Rocha solicita os exames que fazem sentido para cada caso, sem pedidos desnecessários, e interpreta os resultados em conjunto com o quadro clínico.

Esse retrato orienta decisões sobre alívio de sintomas, terapia hormonal quando indicada e prevenção cardiovascular e óssea, com acompanhamento próximo ao longo da transição. Saiba mais sobre o cuidado com a menopausa e a perimenopausa no Instituto. Toda indicação de exame ou tratamento depende de avaliação médica individual.

Perguntas frequentes

FSH normal descarta perimenopausa?

Não. Na perimenopausa o FSH oscila bastante entre um ciclo e outro, e pode estar normal mesmo em mulheres com sintomas típicos. Por isso diretrizes como a do NICE orientam que, acima dos 45 anos, o diagnóstico seja feito pelos sintomas e pela irregularidade menstrual. O FSH é reservado para situações específicas, como mulheres mais jovens.

O exame de hormônio antimülleriano indica quando vou entrar na menopausa?

O AMH reflete a reserva ovariana e é usado sobretudo em avaliações de fertilidade. A diretriz do NICE recomenda não utilizá-lo para diagnosticar perimenopausa ou menopausa em mulheres acima de 45 anos, porque ele não define com precisão a fase da transição nem prevê com exatidão a data da última menstruação.

Quais exames de sangue fazer na perimenopausa?

Os mais úteis costumam ser TSH, hemograma, ferritina, perfil lipídico, glicemia, hemoglobina glicada, vitamina D e funções renal e hepática, conforme o caso. Eles descartam outras causas dos sintomas e avaliam o risco cardiovascular e metabólico. A escolha dos exames deve ser feita pelo médico, com base na história clínica de cada mulher.

Referências

  1. Menopause: identification and management (NG23), NICE, 2024. https://www.nice.org.uk/guidance/ng23/chapter/recommendations
  2. Screening for Osteoporosis to Prevent Fractures, US Preventive Services Task Force, 2025. https://www.uspreventiveservicestaskforce.org/uspstf/recommendation/osteoporosis-screening
  3. Ministério da Saúde recomenda mamografia a partir dos 40 anos, FEBRASGO, 2025. https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/2211-ministerio-da-saude-recomenda-mamografia-a-partir-dos-40-anos
  4. Dia Nacional da Mamografia: FEBRASGO recomenda o exame anual para as mulheres a partir dos 40 anos, FEBRASGO, 2024. https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/1791-dia-nacional-da-mamografia-febrasgo-recomenda-o-exame-anual-para-as-mulheres-a-partir-dos-40-anos

Conteúdo informativo, escrito e revisado sob responsabilidade do Dr. Guilherme Loureiro Rocha (CRM-ES 11007). Não substitui a consulta médica. Diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual.

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