
Qual a relação entre menopausa e osteoporose?
O estrogênio ajuda a frear a reabsorção natural do osso. Quando ele cai na menopausa, a destruição óssea passa a superar a formação, e a mulher pode perder até 20% da densidade óssea nos cinco a sete anos seguintes à última menstruação. Por isso a menopausa é o principal momento de risco para a osteoporose feminina.
Esse dado, divulgado pela Bone Health and Osteoporosis Foundation, ajuda a entender por que tantas mulheres descobrem a osteoporose apenas depois de uma fratura (BHOF, 2024). A perda óssea não dói, não causa sintomas nas fases iniciais e costuma avançar sem que ninguém perceba, o que torna a prevenção e o diagnóstico precoce especialmente valiosos.
Por que a queda do estrogênio enfraquece os ossos?
O osso é um tecido vivo, que se renova o tempo todo. Células chamadas osteoclastos retiram osso antigo, enquanto os osteoblastos formam osso novo. Durante a vida reprodutiva, o estrogênio mantém esse equilíbrio. Com a falta do hormônio, aumentam o número e o tempo de vida dos osteoclastos, e a reabsorção se acelera (FEBRASGO, 2024).
O resultado é um osso mais poroso e frágil, sobretudo na coluna, no quadril e no punho. Segundo a FEBRASGO, cerca de metade das mulheres com mais de 50 anos pode sofrer uma fratura por osteoporose ao longo da vida, número que coincide com a estimativa da BHOF de que aproximadamente uma em cada duas mulheres acima dessa idade terá uma fratura relacionada à doença.
Alguns fatores somam risco ao efeito da menopausa:
- menopausa precoce (antes dos 45 anos) ou retirada cirúrgica dos ovários;
- histórico familiar de fratura de quadril ou osteoporose;
- baixo peso corporal, sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de álcool;
- uso prolongado de corticoides, doenças da tireoide, diabetes e doenças que prejudicam a absorção intestinal;
- ingestão insuficiente de cálcio e vitamina D.
Quando fazer a densitometria óssea?
A densitometria (DXA) é o exame que mede a densidade mineral óssea e permite classificar o osso como normal, com osteopenia ou com osteoporose. A força-tarefa norte-americana de prevenção recomenda o rastreamento para todas as mulheres a partir dos 65 anos e também para mulheres na pós-menopausa com menos de 65 anos que tenham fatores de risco aumentados (USPSTF, 2025).
Na prática, isso significa que muitas mulheres se beneficiam de uma primeira densitometria logo nos anos que se seguem à menopausa, principalmente quando há histórico familiar, menopausa precoce ou uso de medicamentos que afetam o osso. O intervalo entre um exame e outro depende do resultado e do tratamento em curso, e deve ser definido pelo médico que acompanha a paciente.
Como prevenir a perda óssea na menopausa?
A boa notícia é que o osso responde a estímulos em qualquer idade. As medidas com melhor respaldo formam uma base que vale para todas as mulheres, com ou sem tratamento medicamentoso:
- Treino de força e impacto. O ideal é um programa individualizado que combine exercícios resistidos, de equilíbrio e com sustentação do próprio peso, como caminhada e subida de escadas. A musculação estimula a formação óssea e ainda reduz o risco de quedas.
- Cálcio suficiente. Para mulheres a partir dos 51 anos, a referência da BHOF é de 1.200 mg por dia, somando alimentação e eventuais suplementos (BHOF, 2024). Laticínios, vegetais verde-escuros, sardinha e alimentos fortificados ajudam a chegar lá.
- Vitamina D adequada. Ela permite que o intestino absorva o cálcio. A mesma fundação sugere de 800 a 1.000 UI diárias a partir dos 50 anos, com ajuste conforme a dosagem sanguínea.
- Proteína, sono e hábitos. Ingestão adequada de proteína, abandono do cigarro e moderação no álcool completam a proteção.
A terapia hormonal protege os ossos?
Sim, quando bem indicada. A The Menopause Society afirma que a terapia hormonal continua sendo o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores e que ela comprovadamente previne a perda óssea e as fraturas (The Menopause Society, 2022). Para a maioria das mulheres saudáveis e com sintomas, com menos de 60 anos ou dentro de dez anos do início da menopausa, os benefícios superam os riscos.
Isso não significa que toda mulher deva usar hormônios apenas para proteger o osso. A decisão considera sintomas, histórico pessoal e familiar de câncer, risco cardiovascular e trombótico, preferências da paciente e resultados de exames. Em mulheres que já têm osteoporose estabelecida, há também medicamentos específicos para o osso, cuja escolha depende do grau de risco de fratura. Quando a reposição hormonal é indicada, a via de administração (oral, transdérmica ou implante hormonal) também é discutida de forma individual.
- A mulher pode perder até 20% da densidade óssea nos cinco a sete anos após a menopausa.
- A densitometria é o exame que identifica osteopenia e osteoporose antes da primeira fratura.
- Treino de força, cálcio, vitamina D e bons hábitos são a base da prevenção.
- A terapia hormonal previne perda óssea e fraturas quando há indicação e acompanhamento.
Como o Dr. Guilherme Rocha cuida da saúde óssea na menopausa
No Instituto Guilherme Rocha, em Guarapari (ES), a saúde dos ossos faz parte da avaliação de toda mulher na transição menopausal. O Dr. Guilherme Rocha, com mais de 15 anos de prática e olhar integrativo, investiga fatores de risco, solicita exames como densitometria e dosagens laboratoriais e orienta força muscular, alimentação e suplementação de acordo com cada caso.
Quando existe indicação de terapia hormonal ou de outro tratamento, a escolha é feita em conjunto com a paciente, com monitoramento próximo ao longo do tempo. Se você está entrando na menopausa ou já passou por ela, conheça como funciona o acompanhamento da menopausa e perimenopausa no Instituto. Toda indicação e dose dependem de avaliação médica individual.
Perguntas frequentes
Quanto osso a mulher perde depois da menopausa?
Segundo a Bone Health and Osteoporosis Foundation, a mulher pode perder até 20% da densidade óssea nos cinco a sete anos seguintes à menopausa. A velocidade varia bastante de pessoa para pessoa e depende de genética, peso, atividade física, alimentação e uso de medicamentos, por isso a avaliação individual com densitometria é tão importante.
Com que idade devo fazer densitometria óssea?
A recomendação geral é fazer o exame a partir dos 65 anos. Mulheres na pós-menopausa mais jovens também devem fazer quando têm fatores de risco, como menopausa precoce, histórico familiar de fratura, baixo peso, tabagismo ou uso prolongado de corticoides. O médico define o momento ideal e o intervalo entre os exames.
Tomar cálcio e vitamina D basta para evitar a osteoporose?
Cálcio e vitamina D são necessários, mas sozinhos costumam ser insuficientes. A prevenção funciona melhor quando inclui treino de força e impacto, proteína adequada, abandono do cigarro e moderação no álcool. Em mulheres com risco elevado ou osteoporose confirmada, pode ser necessário tratamento medicamentoso definido após avaliação médica individual.
Referências
- What Women Need to Know, Bone Health and Osteoporosis Foundation, 2024. https://www.bonehealthandosteoporosis.org/preventing-fractures/general-facts/what-women-need-to-know/
- Calcium/Vitamin D Requirements, Bone Health and Osteoporosis Foundation, 2024. https://www.bonehealthandosteoporosis.org/patients/treatment/calciumvitamin-d/
- The 2022 hormone therapy position statement of The North American Menopause Society, Menopause, 2022. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35797481/
- Screening for Osteoporosis to Prevent Fractures, US Preventive Services Task Force, 2025. https://www.uspreventiveservicestaskforce.org/uspstf/recommendation/osteoporosis-screening
- Mulheres a partir dos 50 anos têm mais chances de desenvolver osteoporose, FEBRASGO, 2024. https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/1971-mulheres-a-partir-dos-50-anos-tem-mais-chances-de-desenvolver-osteoporose-alerta-febrasgo
Conteúdo informativo, escrito e revisado sob responsabilidade do Dr. Guilherme Loureiro Rocha (CRM-ES 11007). Não substitui a consulta médica. Diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual.
Dr. Guilherme Rocha